As luzes apagadas, eu deitada e minha respiração me levando até outros dias dos quais eu não fiz questão de esquecer. Porque esquecer o que foi bom? Não há motivos. Não aceitei o erro, mas me disfarcei em contentamento. Às vezes a gente se submete. Lembro-me de tantas coisas que no inicio disse e que hoje vivo, lembro-me de quando me mostrou o céu através da tua janela, foi bonito te ver tão cuidadoso comigo e me mostrando que o simples era a felicidade. Sabe eu queria ter controle sobre situações, mas a tempestade quando chega, chega sem avisos prévios e assim me aconteceu. E eu não estava preparada, talvez eu nunca estivesse preparada, aliás, pois sobre essas coisas só mentirosos conseguem suportar, pois fingem felicidade. Mas eu assim como ‘ele’ só sei dizer a verdade e passar essa minha verdade. Se estou bem, todos conseguem me ler, se estou mal, nem eu sei o que fazer, então eu corro, fujo, e tento encontrar abrigo em quem sempre me conforta. E essa pessoa nos últimos dias ficou tão preocupada com minha situação que chegou a chorar comigo e me disse assim, simplesmente por dizer “Porque tu não fica feliz igual às outras meninas? Fica feliz por mim pelo menos. Me livra dessa tua dor. È que não suporto te ver mal.” Ao ouvir tais palavras meu coração gelou, não imaginava conseguir transmitir tambem meus sentimentos ruins, e acabei por abraçá-la e tentei dizer que ela não tinha nada a ver com a situação e que isso logo passaria, foi uma das cenas mais interessantes que eu já protagonizei. Depois, alguns dias se passaram e eu continuei com minhas paranóias, mas não demonstrei meus surtos e me contive. Havia a falta. Havia o desejo. Mas havia tambem a vergonha que era suficiente o bastante pra não mendigar atenção, mas eu sempre caia nesse episódio, porque eu sempre fui sozinha então às vezes mesmo involuntariamente dizia coisas idiotas e ele certamente conseguia entender, entender que era tudo muito recente ainda pra mim, e ele sabia tambem o quanto era difícil. Peculiar era ele e não eu. Ele era peculiar por ter sempre o domínio entre os dedos. E ter nos pensamentos a vontade bonita de ajudar. E certamente os vinte dias foram os mais felizes possíveis. E a fala interrompida era só um sinal, denunciando o fim. O fim talvez pra um começo mais bonito, meu bem.
Erlândia,
ResponderExcluirFiz um blog! Que saudades de você! Te escrevi faz um tempinho, mas devido a greve dos correios não sei se a carta te alcançou. Bom, me avise. Mande notícias! Ah, e ótimo texto! Cuida-te, R.